sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Revérter Mortal

Então eu acordo no meio da madrugada com uma ligação sua em que você apenas diz: "É culpa sua" e eu entro em desespero após você desligar, arregalo os olhos como se eu estivesse vivendo o meu maior pesadelo, choro durante algum tempo sem parar, fico com ódio de mim mesmo, pego o revólver, aponto na minha cabeça, mas como meu último recurso covarde eu penso que suas palvras ríspidas e frias não tenham significado tão forte quanto eu imagino.
Três horas depois, me arrumo para ir onde sempre tomamos café pela manhã, chego por lá na hora exata, procuro por você, vago pelo local na esperança de sentir o cheiro do seu perfume, mas adivinha? Você não está lá, bebo uma xícara de café com relutância e vou passear no parque como costumanos fazer... Também não a encontrei por lá, finalmente fui para a casa, almocei uma pizza que sobrara da noite passada e novamente saí de casa a te procurar, ligo meu carro, dirijo até a sua casa, mas você não está lá, eu estou com sono e preocupado, vou até a casa de seus pais, mas não tem ninguém lá.
Já são quase quatro horas da tarde e nenhum sinal de vida, da sua presença, eu sinto minha pressão subir, então dirijo horas e horas para chegar no local onde nos conhecemos quando eramos crianças, está escuro, realmente frio e eu sou tomado pelo medo, pelo receio, pelo que eu nem estava certo, a gasolina então acaba, eu entro em confusão: "sigo em frente ou volto?" era o meu dilema no momento, como um jeito abrupto de escapar da situação eu puxo o celular e ligo pra você, mas cai na caixa de mensagem... Minhas últimas palavras enquanto eu sacava o revólver foram: "Me desculpe", no exato momento em que eu terminei a última letra da última palavra eu puxei o gatilho e de repente eu ouvi o silêncio profundo.. Meu sangue se espalhava pelo chão enquanto uma luz branca tomava conta da minha visão... Mas de repente eu ouvi o barulho do meu despertador e tudo começava a ir embora, eu abro os olhos e noto que foi um pesadelo, aliviado eu olho ao lado e por algum motivo realmente era meu despertador que estava tocando antes do horário, muito antes do horário por sinal, eu rapidamente pego o telefone e ligo pra você, espantado, eu espero você atender e quando atende meus olhos se enchem de lágrimas e alívio, você pergunta: "Por que a sua voz está assim?Como se você estivesse com medo e chorando", num tom de sarcasmo irônico porém suave eu retruco "É culpa sua" e desligo o telefone indo assim dormir.
Novamente eu acordo, agora em meu horário correto e resolvo ir até o local onde nos conhecemos quando criança, chego lá, subo na gruta, respiro o ar puro do campo, enfim eu cheguei tarde e já tinha que voltar para cidade, dirijo até chegar onde tomamos sempre café pela manhã, eram 2 horas, mas ainda estavam servindo o almoço, eu noto que deixei o celular em casa, por um momento, me espantei, mas... Devia ser apenas bobagem então eu esqueci daquilo.
Vou até o lago, fico conversando com um desconhecido qualquer, contando meu sonho em detalhes até que escurece e eu resolvo ir pra casa, rapidamente eu olho pro celular, nada, graças a Deus... Mas... Tem uma mensagem na caixa de mensagem do telefone, aflito com a situação eu lentamente boto-a para tocar e adivinha? Adivinha o que tinha se cumprido ao contrário? Suas palavras foram exatamente: "Me desculpe" seguido de um silêncio mórbido e tétrico, sem saber o que fazer, fiquei parado horas a fio até que eu devo ter desmaiado... Só me lembro de acordar no chão do meu apartamente congelando de frio.
Se depois disso eu vivi? Bem... Poderia, mas minhas cicatrizes emocionais foram mais fortes... Elas sugaram minha alma, corromperam minha mente e me deram a coragem que eu não tinha para fazer uma bala atravessar minha cabeça. Só ai eu entendi que o meu pesadelo... Tinha sido MUITO MELHOR que aquilo tudo.

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